O IWF — iShares Russell 1000 Growth ETF — é um dos ETFs de crescimento mais antigos e consolidados do mercado americano. Lançado em maio de 2000, captura o segmento de large caps americanas com características de crescimento — empresas que os mercados precificam com múltiplos elevados por acreditarem em expansão acelerada de lucros, receita e participação de mercado nos próximos anos.
Com aproximadamente US$ 105 bilhões em patrimônio e taxa de 0,19% ao ano, o IWF é a alternativa mais ampla ao QQQ para quem quer exposição ao crescimento americano sem se restringir apenas às empresas listadas na Nasdaq. Enquanto o QQQ inclui apenas empresas da Nasdaq (excluindo financeiras), o IWF captura as maiores empresas de crescimento de todas as bolsas americanas — NYSE e Nasdaq — tornando-se um proxy mais completo para o fator crescimento no mercado americano.
O que é o IWF e o que ele compra
O IWF replica o Russell 1000 Growth Index, desenvolvido pela FTSE Russell. Esse índice começa com o Russell 1000 — as 1.000 maiores empresas americanas por capitalização de mercado — e seleciona aquelas que apresentam características de crescimento segundo um conjunto de métricas:
- Price-to-Book (P/B) inverso: empresas com P/B alto (caras em relação ao valor patrimonial) são classificadas como crescimento
- Crescimento previsto de lucros (I/B/E/S forecast): expectativas de crescimento de lucros projetados pelos analistas
- Crescimento histórico de vendas (5 anos): histórico de expansão de receita
Empresas que pontuam alto nessas métricas de crescimento entram no Russell 1000 Growth. As que pontuam em valor entram no Russell 1000 Value (rastreado pelo IWD). Algumas empresas aparecem em ambos com pesos fracionados, dependendo de onde estão no espectro. O resultado é um portfólio de aproximadamente 430–450 empresas com perfil de alto crescimento e múltiplos elevados.
Ficha técnica completa
- Ticker: IWF (NYSE Arca)
- Gestora: BlackRock (iShares)
- Índice replicado: Russell 1000 Growth Index
- Taxa de administração (expense ratio): 0,19% ao ano
- AUM (patrimônio sob gestão): ~US$ 105 bilhões (abr/2026)
- Número de posições: ~430–450 ações
- Lançamento: 22 de maio de 2000
- Dividend yield: ~0,5% ao ano, distribuição trimestral
- P/E médio da carteira: ~32–35x
- Retorno anualizado 10 anos: ~16,5% ao ano
Principais posições: as empresas que o mercado ama
As maiores posições do IWF são as empresas mais valorizadas e de maior crescimento do mercado americano — um mix de mega caps de tecnologia e empresas de outras bolsas que não aparecem no QQQ:
- NVIDIA (NVDA, ~12%): GPUs para inteligência artificial — a empresa mais transformadora da era atual da computação
- Apple (AAPL, ~11%): ecossistema de hardware e serviços; o maior gerador de caixa do mundo
- Microsoft (MSFT, ~10%): Azure, Microsoft 365 e parceria estratégica com OpenAI
- Amazon (AMZN, ~6%): AWS e e-commerce global
- Meta Platforms (META, ~4%): Facebook, Instagram, WhatsApp e realidade aumentada
- Alphabet A+C (GOOGL+GOOG, ~6–7% combinado): Google Search, YouTube, Google Cloud
- Broadcom (AVGO, ~4%): semicondutores para AI e infraestrutura de rede
- Tesla (TSLA, ~2–3%): veículos elétricos e tecnologia de autonomia
- Eli Lilly (LLY, ~2%): farmacêutica líder em medicamentos para diabetes e obesidade (Mounjaro, Zepbound)
- Visa (V, ~2%): rede de pagamentos global — uma empresa financeira que o QQQ exclui mas o IWF inclui
A presença de Eli Lilly e Visa nas grandes posições ilustra a principal diferença do IWF em relação ao QQQ: o IWF inclui empresas de todos os setores e bolsas que apresentam características de crescimento, não apenas as da Nasdaq. Isso adiciona farmacêuticas de alto crescimento, redes de pagamento, consumo de luxo e industriais inovadoras que simplesmente não existem no QQQ.
IWF vs. QQQ: a diferença que importa
Essa é a comparação mais relevante para quem está escolhendo entre os dois ETFs de crescimento mais populares. As diferenças são mais significativas do que muitos investidores percebem:
Universo de empresas: o QQQ se limita às 100 maiores não-financeiras listadas na Nasdaq. O IWF seleciona as maiores empresas de crescimento de todas as bolsas americanas (NYSE + Nasdaq), excluindo apenas as que têm características de valor. O IWF tem mais empresas (~430 vs ~100) e é mais diversificado.
Setor financeiro: o QQQ exclui financeiras por design do índice Nasdaq-100. O IWF inclui empresas financeiras de crescimento — Visa, Mastercard e outras que têm perfil de crescimento forte. Isso faz o IWF ter composição mais equilibrada setorialmente.
Concentração: as 10 maiores posições do QQQ respondem por ~50% do patrimônio; no IWF, as 10 maiores respondem por ~55–60%. O IWF é ligeiramente mais concentrado nas mega caps, pois as primeiras posições (NVIDIA, Apple, Microsoft) têm pesos ainda maiores relativamente.
Taxa: QQQ cobra 0,20% (reduzido de 0,20% para aprox. 0,18% em 2025); IWF cobra 0,19%. Custo similar. O QQQM (0,15%) é mais barato que ambos para investidores de longo prazo.
Desempenho histórico: nos últimos 10 anos, o IWF entregou retorno anualizado próximo de 16,5% ao ano — ligeiramente superior ao QQQ no mesmo período, mas muito próximo. Em alguns anos o QQQ supera o IWF; em outros o IWF supera o QQQ. A diferença de longo prazo é pequena.
Composição setorial: crescimento além da tecnologia
O IWF é dominado por tecnologia, mas menos concentrado do que o QQQ:
- Tecnologia da informação: ~46–48%
- Comunicações: ~12–13%
- Consumo discricionário: ~11–12%
- Saúde (biotecnologia e farmacêutica de crescimento): ~10–11%
- Financeiro (Visa, Mastercard e similares): ~5–6%
- Industriais inovadores: ~4–5%
- Consumo defensivo (empresas premium): ~3%
- Energia, Materiais, Imóveis, Utilidades: <3% combinado
A presença de 10–11% em saúde (versus ~5% no QQQ) e 5–6% em financeiro (versus 0% no QQQ) ilustra a maior diversificação setorial do IWF. Empresas como Eli Lilly, UnitedHealth Growth segment, Visa e Mastercard adicionam exposição a setores de crescimento que o QQQ estruturalmente exclui.
Histórico de retornos: o poder do crescimento de longo prazo
O IWF foi lançado em maio de 2000 — no pico da bolha dot-com — e tem mais de 25 anos de histórico que inclui os dois piores mercados de baixa da história moderna: 2000–2002 e 2008–2009. Isso torna seu track record particularmente valioso por incluir tanto o pior cenário possível para o fator crescimento (queda de 80%+ na bolha dot-com) quanto décadas de recuperação e expansão subsequente.
Apesar do lançamento no pior momento possível, o retorno total anualizado do IWF desde o início em 2000 até 2026 foi de aproximadamente 9–10% ao ano — impressionante considerando que os primeiros 2 anos foram devastadores para empresas de crescimento. Nos últimos 10 anos (2016–2026), o retorno anualizado foi de ~16,5% ao ano, refletindo a década de dominância das mega caps de tecnologia.
Quem investiu US$ 10.000 no IWF em maio de 2010 e manteve até abril de 2026 teve aproximadamente US$ 95.000 — multiplicação de ~9,5x em 16 anos, equivalente a ~15% ao ano. Uma geração de retornos extraordinários que não deve ser extrapolada sem cautela.
Riscos específicos do IWF
Múltiplos extremamente elevados: com P/E médio de 32–35x, o IWF está precificado para crescimento elevado e sustentado. Qualquer desapontamento nos lucros das grandes posições (especialmente NVIDIA, Apple, Microsoft) pode causar correções expressivas.
Sensibilidade a taxas de juros: como o QQQ, o IWF é composto majoritariamente por empresas cujo valor está concentrado em fluxos de caixa futuros distantes. Alta de taxas de juros comprime esses múltiplos desproporcionalmente — o IWF caiu ~29% em 2022 com o ciclo de aperto do Fed.
Concentração nas mesmas mega caps: as 5 maiores posições (NVIDIA, Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet) respondem por ~45% do fundo. Uma crise específica a qualquer dessas empresas afeta desproporcionalmente o IWF.
Taxa de 0,19% ao ano: mais cara do que VOO (0,03%) ou VTI (0,03%). Para justificar o custo adicional, o IWF precisa continuar superando o mercado amplo — o que aconteceu na última década mas não é garantido.
Risco cambial: cotado em dólar. A variação real/dólar afeta os retornos em reais para o investidor brasileiro.
Como investidores brasileiros podem comprar IWF
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Tributação para o investidor brasileiro
Ganhos com IWF são tributados como ganho de capital no Brasil — tabela progressiva de 15% a 22,5%. Os dividendos trimestrais (yield ~0,5%) sofrem retenção de 30% na fonte nos EUA. Declare em "Bens e Direitos" no IRPF (código 74). Consulte um contador especializado.
Conclusão: IWF vale a pena?
O IWF é um dos melhores ETFs disponíveis para quem quer exposição sistemática ao fator crescimento no mercado americano. Com 430+ empresas de todas as bolsas americanas (não apenas Nasdaq), presença de setores excluídos do QQQ (saúde inovadora, redes de pagamento) e histórico de 25 anos que inclui os piores cenários possíveis para o crescimento, o IWF é mais diversificado e potencialmente mais robusto do que o QQQ para o investidor de longo prazo.
A taxa de 0,19% é a principal desvantagem — mais cara do que o mercado amplo justifica como único fundo. Para carteiras que já têm VOO ou VTI como base, uma alocação de 15–25% em IWF adiciona tilt para crescimento com diversificação além do universo Nasdaq. Quem tem alta convicção no crescimento tecnológico americano e horizonte de 15+ anos encontrará no IWF um veículo eficiente e bem gerido para essa aposta.